Darkmoon

Caminho pelo corredor escuro.
Piso naquele tapete vermelho
que quase congela os meus pés descalços.
Sinto presenças a todo instante.
Noto o quadro principal, após tantos,
cujo neste um homem de expressão paciente
e nem um pouco desesperadora
se decompunha em chamas.
Então posso notar agulhas jogadas
agulhas espalhadas pelo chão.

Tenho ânsias e remorsos
ao enxergar a menina de óculos
sentada na cadeira de balanço.
Com uma boneca nos braços,
ela finge ser mãe. E finge bem.
Mas a menina tem tristeza no olhar
e angústia no sorriso.
Ela levanta a cabeça para ver quem a acompanha.
Me observa por alguns instantes
e volta a fingir-se de mãe,
com seu tão inocente ventre.

Resolvo continuar a caminhada.
A casa é composta por madeira,
um tamanho descuido
e amontoados de lembranças.
Ouço barulhos vindos
do que mais parece ser um banheiro.
Enxergo os ladrilhos floridos em cores claras.
É uma música. Uma música de orquestra.
Ouço alguém cantarolando,
para acompanhar a música.
Uma voz exausta, ofegante de cansaço.
Decido chegar mais perto,
e então vejo uma mulher desgastada
a pentear os cabelos.
Ela tem uma delicadeza sem igual ao fazer isso.
Após alguns movimentos repetitivos
ela decide olhar através do espelho
quem a observa.
Eu me assusto, é claro,
e saio em disparada pelo corredor.

Vejo histórias narradas nos quadros
que se encontram por todos os lados.
A curiosidade sempre me matou
e me levou ao beco das narrações obscuras.

No próximo quarto habitado,
um homem grita, agonizado pela dor.
De costas para mim, ele se mutila
com cordas pesadas e nós grotescos,
arrancando o couro de suas costas.
A quantidade de sangue é absurda,
mas ele não para por nada.
A cada grito, eu tenho mais receio de olhar.
Sinto suas dores, seus sentimentos
e suas mágoas.

Me recomponho,
levantando-me daquele chão frio.
Lamúrias cobrem minha mente.
Na volta, passo pelos mesmos quadros
e sinto uma tristeza mais atordoadora.

A mulher que cantarolava
agora já está com os braços cansados.
Possui uma lâmina em uma das mãos,
que vai deslizar em seu pulso.
A menina com sua boneca nos braços
agora já não quer mais brincar.
Está nua em sua cama,
preparando-se para um homem velho.

Eu não vejo mais sentido
nem mesmo quero permanecer
em tal lugar como este.
Mas algo me prende aqui.
Algo me perturba dizendo
“Esta é a realidade”.
Então eu construo fábulas
menos causadoras de suicídio.

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